O princípio

Quantas vezes você pensou em um filme e ele estava passando na televisão?

Quantas vezes você pensou em uma música e, de repente, ela estava tocando no rádio?

Ou amigos? Quantos amigos de longa data entraram em contato na semana que você lembrou deles?

É assim que funciona a magia, através da canalização da Força de Vontade a fim de causar alterações no mundo ao seu redor.

Primeiro de tudo, deixe-me perguntar: você acredita em magika? (ou magia, magyca, ou qualquer uma de suas grafias).

Magia é a arte de trazer o inefável para a realidade; transformar o mundo através da sua força de vontade e fazer valer sua Verdadeira Vontade. OS magos da história, como Merlin, Morgana, Jesus, Buda, Aleister Crowley, Grant Morrison, Paulo Coelho, ou Alan Moore são pessoas que entenderam o funcionamento do universo e de como conseguiriam colocar sua Força de Vontade em paralelo com as Forças Primordiais e conseguir aquilo que tanto desejavam.

Os Deuses antigos estão vivos! Sim, é isso mesmo que você leu: os Deuses Antigos estão vivos, passam bem, são um conglomerado de energia acumulada durante milênios de existência – que não podem ser calculados direto pela mente e ciência humana – e estão doidos para conversar com VOCÊ.

Fale a verdade: você nunca se sentiu deslocado do mundo? Diferente? Com ânsias que ninguém entende, desejos que ninguém aceita, ou sonhos que não consegue realizar? Isso é por que você está em desacordo com seu Deus Interior, seu Anjo da Guarda, sua união com o divino (lembre-se, “religião” vem do latim, “religare” ou, religar-se). A importância de estar conectado ao universo novamente tem tudo a ver com as nossas vidas, sem ela, não passamos de fantoches descontrolados, com o único objetivo de consumir, comprar, zumbificar nossas existências.

Você é um zumbi?

Por anos eu passei a minha vida sendo um zumbi, escutando das pessoas ao meu redor “você não pode fazer isso por que é preto” ou ” você nasceu pobre, tem que arranjar um emprego X, casar com uma menina do mesmo nível social, ter filhos, uma casa, bla’bla blá”. Mas, no meu interior, eu sempre soube que não precisava ser assim, eu não precisava escolher um emprego e morrer nele, eu não precisava me prender à minha condição social (ou à cor da minha pele) e também não precisava obedecer a essas regras estapafúrdias.

Eu podia ser mais.

A primeira vez que a Magia surgiu na minha vida foi nas rodas de umbanda com uns parentes que hoje estão afastados de mim. Eu me lembro que o terreiro ficava em uma rua que terminava em umas árvores e era um lugar meio assustador. Não sei se era coisa da minha cabeça, mas eu sempre via pessoas no estacionamento (pessoas que não estavam lá, na verdade… você entendeu, né? NÉ?). Eu ouvia vozes, barulhos, sentia a vibração do ar diferente quando estava perto de um médium ou de um mago ( apesar de ninguém me dizer que era uma pessoa espiritualmente desenvolvida).

Quando eu cheguei à puberdade foi como se meu terceiro olho se fechasse. Toda a espiritualidade foi embora, as vozes se calaram, os sentidos estavam mais “realistas” e minha imaginação ficou meio engessada. Foi também nesse período que começaram as perguntas e afirmações do mundo adulto: Já decidiu o que vai ser quando crescer? Você não via nada no centro espírita, cala a boca! Esse negócio de magia é besteira! E as namoradas?

Certo, eu era um nerd esquisito de quinze anos, sofria bullying de metade da escola, tinha poucos amigos, nenhuma garota se interessava por mim e mesmo os professores não pareciam as melhores pessoas do mundo para se ter uma conversa.

Foi aí que eu tive a segunda influência mágica na minha vida.

Meu professor de geografia foi assassinado em um bar próximo à escola. Eu nunca soube a razão, mas parece que ele estava almoçando, houve um assalto e o ladrão, sem querer, atirou nele.

Uma semana depois a nova professora de geografia chegou: era uma mulher “grande”, ela era um pouco gordinha, tinha cabelos compridos e pretos, ondulados e de um jeito bonito e cheiroso. Ela usava uns badulaques no braço que faziam o barulho idêntico de um grupo de fanfarra descendo uma ladeira, os olhos dela eram pretos e sua voz era um trovão.

E ela era, assumidamente, uma bruxa.

Não só isso, ela era anarquista, socióloga, taróloga, tinha morado no Canadá, era ocultista e, o mais importante, se interessava por mim. Dizia ela que “via uma luz opaca” na minha alma.

O mais estranho é que eu levava ela a sério, apesar dos risos quando os alunos faziam piadas com os trejeitos malucos dela (acho que era uma defesa, para eu não ser mais excluído ainda). Ela não se importava, com paciência espartana nos ensinava sobre política, movimentos sociais e sobre expandir a sua mente além da realidade que lhe é imposta. Certa vez ela me contou que fazia parte de um coven – um grupo – de bruxas que faziam rituais na lua cheia e louvava à Deusa.

Para mim, na época, um monte de bobagens.

Depois que eu me formei no Ensino Fundamental nunca mais vi essa professora, mas a memória dela ficou na minha cabeça. Era uma pessoa envolta em mistério e magia, que aparecera na minha vida, tentava falar alguma coisa, depois se afastava. Por mais que eu tente, não consigo me lembrar do nome dela, apesar de sua aparência ser nítida na minha mente, assim como sua voz.

A magia é um troço engraçado, uma vez que ela surge na sua vida, mesmo que você ignore, ela fica te chamando, dando pequenas dicas, aparecendo aqui e ali discretamente. Os mais céticos vão chamar isso de coincidência; eu chamo isso de “o Universo está gritando contigo para largar a mão de ser trouxa e aceitar tua Divindade Interior”.

Você pode chamar como quiser.

Durante as férias antes de eu ingressar no Ensino Médio meu tio Carlos faleceu (cirrose), foi um momento esperado na família, apesar de esse meu tio ser um dos mais divertidos e aventurescos que eu tinha. O Tio Carlos saltava de paraquedas, andava de moto, fumava, tinha ido pra Vegas casar com a própria esposa, fora preso por urinar em uma estátua de algum presidente americano famoso, deportado para o Brasil, morava na praia e aproveitava cada instante da vida como se fosse o último.

Carpe diem.

Eu estava no enterro dele, sem entender direito o que tinha acontecido, realmente chateado por perder uma das referências de vida que eu mais gostava na família. O dia estava quente, devia fazer uns 38 graus, até a sombra das árvores era quente.

Meu pai resolveu ir tomar algo em um bar do outro lado do velório, ele me chamou e fomos em silêncio. Meu pai era um cara durão, que raramente me elogiava ou dava demonstrações de afeto. Na verdade, pensando depois de todos esses anos, suas demonstrações de carinho eram no dia a dia, através de gestos discretos.

Pouco antes de entrar no bar nós paramos em uma banca de jornal que também vendia bonés. Meu pai pegou um deles e colocou na minha cabeça, dizendo “usa pra se proteger do sol”, o desenho no boné era a cabeça de um pássaro azul sobreposto a uma bola de beisebol, no canto direito da imagem havia uma folha esquisita e vermelha.

“É o símbolo do Toronto Blue Jays” meu outro tio, Cláudio, que vinha do bar, deu um peteleco no boné. O Tio Cláudio era outro cara que eu gostava muito: sorridente, bonachão, atravessara a fronteira dos Estados Unidos com coiotes sem falar uma palavra em inglês, Conseguira o Green Card, e hoje era representante de vendas em uma multinacional.

“Posso comprar uma revistinha?” eu perguntei pro meu pai e ele me deu uns dez reais para comprar algo. Eu olhei a banca inteira e a ÚNICA revista que me chamou a atenção era uma com um anjo estampado na capa e o título “TREVAS – RPG DE HORROR MODERNO”.

Eu já jogava RPG com uns amigos da escola. O RPG é uma espécie de faz-de-conta onde cada jogador interpreta um personagem e são desafiados pelo “mestre do jogo” a cumprir certas tarefas. Não há vencedores ou perdedores, o único objetivo é se divertir.

Comprei a revista na mesma hora. Ela também era uma edição especial da Dragão Brasil, a única revista especializada em RPG no país durante anos. O conteúdo era bacana, a ideia do jogo é que você podia ser um mago moderno em um mundo onde teorias da conspiração, escolas de magia, ocultismo e mundos paralelos eram coisas reais. Eu me encantei e, ao mesmo tempo, senti algo estranho: uma familiaridade com alguns conceitos, um deja vu com relação a algumas das coisas ali escritas. Era como se alguém estivesse me falando o que eu já sabia.

Como eu disse anteriormente: a magia sempre dá um jeito de retornar para a vida do mago. Ela escapa pelas frestas da realidade, rasteja através das garras da seriedade, se esconde no escuro da razão e aparece para você de tempos em tempos para te lembrar de algo muito importante:

Magia é transmutação.

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Sua opinião é importante para mim (sério, é sim)!

Nota: eu decidi escrever este livro ao estilo “brainstorm”, conforme as ideias vieram, eu fui escrevendo, por isso ele contém erros ortográficos, algumas incongruências e leves problemas estruturais. Isto é proposital, para que ele tenha o mesmo aspecto que o meu grimório pessoal (que é escrito à mão).

93/11!

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