A Origem de Nordara

O principio do principio

 

Você não precisa se sentir culpado do fato do seu primeiro romance ser uma mistura de Senhor dos Anéis com Game of Thrones e Tormenta. Mas você deve se sentir culpado se depois de anos como autor você não conseguir ouvir sua própria voz dentro dos seus livros.

Neste caso, você está matando a sua identidade.

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Se você já leu um pouco de ocultismo ou de terapias alternativas, sabe quando falamos do “Eu” ou do “Eu Verdadeiro” e “Eu Superior”. Se você não sabe, seria legar estudar um pouco disso e entender que a sua vida hoje é uma passagem pelo planeta Terra e que você ainda tem muito a aprender.

Na nossa rotina somos levados para longe de nossa verdadeira vontade, colocados em um estado quase de zumbis perseguindo sonhos bizarros e materialismo imediato. Mas sempre, sempre chega o momento do questionamento quando você se pergunta “O que estou fazendo com a minha vida?”

È nesse momento que seu verdadeiro eu está se conectando, te perguntando para onde você está indo e o que realmente deseja fazer com a sua existência. Para os escritores este momento acontece quando você olha para o que tem escrito e percebe que seu mundo e seus personagens não passam de cópias descaradas daquilo que você leu por aí.

O que acontece agora?

Geralmente duas alternativas: ou você desiste e entra em choque e começa a se achar um lixo de escritor ou você simplesmente ignora o fato e continua reclamando de baixas vendas. No fim do percurso é você quem fará a avaliação da sua vida.

Mas, talvez dê para ajeitar as coisas e criar sua própria identidade autoral e se encontrar com seu “Eu Superior” no caminho, o que acha?

Meditação dez minutos por dia ajudam bastante, viu? Só uma dica de um sujeito que passou a se policiar mais mentalmente e hoje vive uma vida mais sadia e equilibrada.

Vamos falar dos livros agora…

Você conhece a história: um grande mal ameaça uma terra mágica, para derrotá-lo é necessário encontrar um objeto ou fazer uma jornada perigosa que levará os personagens a se descobrirem e vencerem seus problemas pessoais. De quebra eles salvam o mundo, casam-se, se reúnem com a família ou morrem em redenção.

Dragonlance, Senhor dos Anéis, Game of Thrones e boa parte da literatura fantástica orbitam esta ideia. Não há problema nenhum nisso, até Star Wars tem jornada e a descoberta, a Jornada do Herói é uma construção básica literária que está disponível para qualquer pessoa.

O que falta, muitas vezes, é a voz do autor, sua personalidade colocada na obra.

Você já se deparou com livros assim, certo? Um daqueles livros bem chatos, que não passam de uma cópia descarada e não te acrescentam nada. Eu já cheguei a ler obras cujos nomes eram variações de suas inspirações, de tão vazios que eram os autores.

Isso reflete a falta de leitura do escritor. Pessoas que têm poucas referências vão ter poucas fontes e pouca capacidade de cruzar informações e criatividade. Não apenas na literatura, mas em qualquer área do conhecimento humano (e alien) a ausência de criatividade leva à repetição.

Leia MUITO.

Eu leio todo tipo de literatura, desde O Segredo, até Camus e Sartre, já tive minha época de biografias, de ocultismo, de literatura fantástica, de terror, comédia, drama e até religião. Eu gosto de ler manuais de rpg, mesmo sem tempo para jogar, gosto de ler cartas e coleções de Magic e BoardGames, gosto de ler quadrinhos, mangás e coletâneas.

Se eu tivesse de te dar um conselho, eu diria que para cada livro que você quer escrever deveria ler, ao menos, vinte livros do mesmo tema e vinte livros de temática diferente. Se você quer escrever fantasia, vai ler terror, romance e livros de história, vá buscar suas fontes em livros que tem pouco a ver com o seu tema. Se quer escrever sobre a origem do seu mundo, leia TODAS as mitologias, incluindo aquelas que você tem menos identificação. Não há desculpas, tem muito material gratuito pela internet, inclusive na Amazon.

Com isso você vai ter referências muito diferentes dos outros autores e seu cérebro vai aprender a cruzar informações que parecem “nada a ver” e tecer sua própria teia do fantástico. Eu não gosto de terror, acho um gênero chato e repetitivo, mas ele é bom em criar mistérios e problemas para os protagonistas. Então eu tento ler ao menos um livro de terror por ano, para me lembrar das qualidades dos outros gêneros.

Biografias também são uma excelente fonte de informação. Elas criam personagens vívidos, dinâmicos, que você pode adaptar para o seu romance, mesmo que ele seja uma Space Opera em Venon 4.

Deixa eu dar o exemplo do meu livro, O BARONATO DE SHOAH e de como ele nasceu como um conto meio torno e se tornou um universo Steampunk, que agora vai ser um universo Steamfunk.

Quando eu comecei a escrever o primeiro livro da saga “O Baronato de Shoah” a minha ideia era de criar uma literatura que conversasse com o RPG, quadrinhos, Mangás e videogames. Inicialmente eu queria um cenário no melhor estilo da revista “Heavy Metal” ou “A Casta dos Metabarões”.

Meu propósito era contar a jornada do herói, mas com pitadas mais adultas. O problema é que no auge da minha arrogância eu também não fazia muita ideia do que significava “ser mais adulto”.

Nas primeiras versões o personagem principal chamava-se Kadriatus e ele estava perseguindo seu maior inimigo em um mundo apocalíptico infestado de monstros. A principal ameaça era a “Corporação HADES”  e sua máquina fazedora de monstros “Eqüidna”. O livro seria narrado através de flashbacks até o ponto onde Kadriatus encontraria seu inimigo e ambos duelariam até a morte.

O conto original não deve ter mais do que sete páginas e acabou se tornando um dos capítulos do livro definitivo (que ficou bem melhor), eu me lembro que, nessa época, o mundo de Nordara estava muito mais próximo aos quadrinhos da extinta Heavy Metal ( vá ler A Casta dos Metabarões e Incal, por favor!) do que do Steampunk propriamente dito. Para ser sincero, quem nomeou O Baronato de Shoah como uma obra do gênero foi o Raul Cândido e o Karl Felipe do Conselho Steampunk de São Paulo.

Sendo um leitor de Tolkien, Martin e Lewis, eu sempre me encantei pelas grandes sagas de fantasia, mas, ao mesmo tempo, eu sentia falta de um pouco de tecnologia nestes mundos. Deve ser por isso que sempre fui apaixonado pela série de videogames “Final Fantasy” e seus similares (lembra do que eu falei sobre buscar referências em outros gêneros? Também vale para outras mídias): ali, caravelas voadoras dividem espaço com computadores, mecanóides bizarros enfrentando magos em suas torres e princesas de reinos mágicos duelam contra exércitos de monstros de bronze. Era isso que eu queria, criar uma série de livros com uma explicação boa para a tecnologia, ao mesmo tempo em que a magia fosse natural para seus habitantes.

Minha primeira decisão foi tornar a magia uma ciência, como a biologia, astronomia e matemática.

Claro, os elfos, anões, bardos, clérigos, deuses e orcs ainda estão no mundo de O Baronato de Shoah, eles são parte do ethos da fantasia, mas eu tomei cuidado de reinventá-los, usar a criatividade em suas culturas e retirá-los de seus padrões. (vai ter um post para cada raça)

Ao pensar nas raças que habitariam o mundo de Nordara foi que eu comecei a entender que meu livro seria diferente: mais do que a “Batalha contra o senhor do mal” ou “a descoberta do escolhido”, eu queria tratar de assuntos mais delicados, tornar meu livro diferente no panteão da fantasia; que tal falar sobre economia? Alianças políticas? Sexualidade dos personagens? E o racismo, será que em um mundo cheio de elfos e orcs, os humanos se dividiriam pela cor de suas peles e etnias?

Ou melhor: e se uma nação muito poderosa resolvesse se aliar ao “senhor do mal” visando a exploração dos recursos naturais das nações mais fracas? Quem se posicionaria contra ela? E uma ditadura que é validada pelo povo? Um elfo conseguiria se adaptar à revolução industrial ou seria tratado como os índios do nosso mundo?

Pensando em todas estas questões foi que eu decidi tornar meu cenário “orgânico”, afinal mesmo enquanto a “saga principal” acontecia na trilogia, outras histórias aconteceriam em pontos diferentes, talvez depois, talvez antes, ou até com breves referências (como no universo Marvel, sem o orçamento de U$100 milhões).

Mesmo assim, meu único limite para o que poderia ser feito dentro do meu mundo caberia única e exclusivamente a mim.

Vivemos nas lendas!

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Vale a pena escrever?

Vídeo meio antigo lá no meu canal, mas vale a pena assistir.

Acho.

Bah, assiste aí e me deixa famoso tipo Felipe Neto!